Beato Juan Nepomuceno: um sacerdote de verdadeira caridade redentora

Pelos frutos se conhece a árvore (Lc.6,44), diz o Evangelho, e assim conhecemos a vida do Beato Juan Nepomuceno, porque muitos são os frutos que ele deixou para a Igreja e para o povo de Deus.

Juan Nepomuceno Zegrí nasceu em Granada, Espanha, em 11 de outubro de 1831. Seus pais, Sr. Antonio Zegrí Martín e Sra. Josefa Moreno Escudero, eram católicos praticantes e o educaram com os princípios do Evangelho, principalmente a caridade.

Além de ser um aluno empenhado, foi um jovem religioso, dedicado à oração e aos pobres. E escolhido por Deus para deixar um rastro de santidade por onde passou! Sua vida nos ensina a jamais desistir da vontade divina! 

Beato Juan Nepomuceno e o chamado ao sacerdócio

Desde criança, o Beato Nepomuceno desejou seguir os passos do Senhor no sacerdócio. Sua alma era inflamada de amor por Deus e, à medida que ele cresceu, também desenvolveu-se o chamado a essa vocação, que se concretizou aos 24 anos, quando foi ordenado na catedral de Granada em 2 de junho de 1855.

A grande inspiração do novo sacerdote era Cristo Bom Pastor, que dá a vida por sua ovelhas. O Beato, então, empenhou-se, nas paróquias que assumiu, na busca pelas ovelhas desgarradas; na cura das feridas da alma; e como providência para os órfãos, situação muito comum na sua época devido aos conflitos e guerras.

No entanto, suas ações se justificam pela sua espiritualidade. Ele era inclinado à oração, logo sua vida e missão foram profundamente marcadas pela experiência de Deus. Seu amor a Jesus Crucificado o ensinou a viver a obediência, sobretudo no sofrimento.

Do mesmo modo, quando falamos de Nossa Senhora, ela era o seu grande amor, sua protetora e mãe. Essa intimidade com Deus e a Virgem o beatificou cedo, fez dele um bem-aventurado, um homem firme na fé, transparente nos atos e praticante da verdade e da caridade fraterna.

Beato Juan Nepomuceno, um evangelizador incansável

Como estudante, estudou humanidades e jurisprudência, destacando-se pela inteligência e facilidade na oratória. Ele gostava de escrever seus sermões e preocupava-se em dizer aquilo que rezava, que brotava de dentro da alma, fruto da experiência do amor de Deus.

Mas a ciência não o envaideceu, porém formou nele um coração próximo às misérias e aos sofrimentos humanos; ele próprio passou por vários deles. Por isso, tornou-se um evangelizador incansável, tanto na catequese quanto nas obras sociais.

Sua missão foi extensa: foi examinador sinodal nas dioceses de Granada, Jaén e Orihuela; Cónego da Catedral de Málaga e visitador das freiras; instrutor de seminaristas, pregador de Sua Majestade a Rainha, Elizabeth II, e capelão real. 

Porém, seu coração de pastor o levou a fundar uma Congregação religiosa para socorrer os mais necessitados. A fundação aconteceu em 1878, em Málaga, sob a proteção de Nossa Senhora das Mercês e tinha por objetivo consolar e ajudar os mais necessitados, porque a caridade, dizia o beato, é a única saída para todos os problemas sociais. 

Um legado de bem-aventuranças

Antes de mais nada, Juan Nepomuceno deixou uma herança espiritual muito sólida, apoiada na intimidade com Deus e nos sofrimentos vividos ao longo de anos. Ele chegou a ser expulso da Congregação que fundou e incompreendido pela própria Igreja, mas manteve-se fiel aos seus propósitos. 

Dessa forma desenvolveu uma rica espiritualidade que alimenta, até hoje, religiosos mercedários e muitos leigos que se sentem atraídos pela caridade aos pobres e o caminho da vida cristã, a partir de sua inspiração carismática. São características desta espiritualidade:

  • A caridade redentora em benefício da humanidade e dos mais pobres. Uma caridade que enxuga as lágrimas, faz o bem a todos e socorre as necessidades.
  • Amor e configuração a Jesus Cristo Redentor, em seu mistério pascal. Um amor que aproxima o homem do seu semelhante, sem interesse, apenas por caridade fraterna.
  • Amor por ‘Maria de la Merced’ – Nossa Senhora da Misericórdia! O título mais doce e suave da Mãe de Deus, que inspira misericórdia para com todos. 

Percebe-se que em tudo há amor! Não se pode agradar a Deus sem a prática do verdadeiro amor que é a caridade. E assim viveu o Beato Juan! 

Sua vida transbordou as virtudes teologais; sua coragem e paciência deixaram um rastro de santidade, que foi confirmado no dia 21 dezembro de 2001, quando ele foi proclamado venerável por João Paulo II. Agora, ele exala o perfume de Cristo para todos.

Conheça também a história do Sacerdote Mercedário que fundou o primeiro hospital psiquiátrico do mundo

10 anos de pontificado do Papa Francisco e as transformações da Igreja neste tempo

Nestes 10 anos do pontificado do Papa Francisco, muitas características já pudemos notar neste que é o primeiro Papa latino-americano. Antes de mais nada ele é um papa carismático, sensível aos dramas da humanidade e tem uma linguagem simples, popular, para falar sobre temas profundos com o povo de Deus. 

Seu nome de batismo é conhecido – Jorge Mario Bergoglio; e o que ele escolheu como Papa – Francisco. É admirado por muitos fora do ambiente religioso pela coragem de tratar a fundo temas polêmicos como os abusos na Igreja.

Mas também temido por muitos da ala conservadora da Igreja Católica, ainda assim, amado pela maioria do povo católico, inclusive por quem está distante da fé.

Afinal, qual o segredo desta popularidade e quais os efeitos seu governo causou na Igreja ao longo desses 10 anos de pontificado? Então vamos conhecer um pouco sua trajetória agora.

O pontificado do Papa Francisco começou com um pedido de oração

“E agora, eu gostaria de dar a bênção, mas primeiro quero pedir um favor. Antes que o bispo abençoe o povo, eu peço que vocês orem para que o Senhor me abençoe – a prece do povo por seu bispo. Façamos esta prece – sua prece por mim.”

Dessa forma começou seu pontificado na noite de 13 de março de 2013, na varanda central da Basílica de São Pedro. Vestido de branco, ele pediu a oração do povo por sua missão, e logo ganhou a simpatia dos que rezam e a admiração dos que não rezam.

Sem falar que o nome Francisco diz muito do que ele semeia até hoje: a pobreza! Logo, o Papa associou seu nome a Francisco de Assis, “o homem da pobreza e da paz, que ama e protege a criação”. E o pobre é uma de suas preocupações constantes. 

Nesse sentido, não são poucas as ações empreendidas nas ruas de Roma, como a criação do dia mundial do pobre, além da sua preocupação com os refugiados, com as crianças e famílias vítimas dos conflitos entre países e regiões.

Esses gestos explicam sobretudo o perfil pastoral do pontífice. Um homem que veio de uma região pobre, do meio dos pobres, que assistiu de perto muitos conflitos políticos para governar a maior representatividade cristã do mundo – a Igreja Católica Apostólica Romana.

O pontificado do Papa Francisco como uma missão fecunda e criativa!

O Papa Francisco é um missionário apesar das limitações da sua saúde. Ainda muito jovem, retirou parte de um pulmão, devido a uma doença respiratória; Bem como em 2021, retirou 33 centímetros do intestino grosso e atualmente sofre com artrose no joelho que o obriga a usar bengala ou a cadeira de rodas quando precisa se locomover muito.

Ainda assim, em 10 anos de pontificado, o santo padre fez 40 viagens apostólicas por 60 países de quase todos os continentes: 32% na Europa, 31% na África, 20% na América e 17% na Ásia. Em 10 anos de pontificado, o Papa só não esteve na Oceania.

Inclusive, sua primeira viagem internacional foi ao Brasil, em 2013, para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. E naquela ocasião, o Pontífice também celebrou Missa na Basílica Nacional de Aparecida, em honra à Padroeira do Brasil (SP).

Além disso tudo, há ainda as suas preocupações de chefe de estado, ele orienta a fé de uma Igreja milenar através das suas cartas e documentos. Desse modo, o Papa Francisco aborda temas atuais, polêmicos e urgentes dentro da Igreja e na sociedade, afinal incentiva uma Igreja em saída.

“Repousa sobre mim o Espírito do Senhor…” (Is.11)

Ao longo dos dez anos do pontificado do Papa Francisco, ele coleciona muitos atos de governo e escritos que vamos elencar agora:

Sínodos

III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos – “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização” (5 -19 de outubro de 2014); XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos – “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo” (4-25 de outubro de 2015); XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos – “Os jovens, a fé e o discernimento Vocacional” (3-28 de outubro de 2018); Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica – “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral” (6-27 de outubro de 2019); Em 2021, iniciou um inédito caminho sinodal em vista da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos – “Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão” (2021-2024).

Principais documentos

Encíclicas – Lumen fidei (29 de junho de 2013); Laudato si (24 de maio de 2015); Fratelli tutti (3 de outubro de 2020); Constituições Apostólicas – Vultum Dei quaerere, sobre a vida contemplativa feminina (29 de junho de 2016); Veritatis gaudium, sobre as universidades e faculdades eclesiásticas (8 de dezembro de 2017); Episcopalis communio, sobre o Sínodo dos Bispos (15 de setembro de 2018); Pascite Gregem Dei, com a qual se reforma o livro VI do Código de Direito Canônico (23 de maio de 2021); Praedicate Evangelium, sobre a Cúria Romana e seu serviço à Igreja no mundo (19 de março de 2022); In Ecclesiarum Communion, sobre a organização do Vicariato de Roma (6 de janeiro de 2023).

Exortações apostólicas

Evangelii gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo de hoje (24 de novembro de 2013); Amoris laetitia (pós-sinodal), sobre o amor na família (19 de março de 2016); Gaudete et exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo contemporâneo (19 de março de 2018); Christus vivit (pós-sinodal), aos jovens e a todo o povo de Deus (25 de março de 2019); e Querida Amazônia (pós-sinodal), ao povo de Deus e a todos pessoas de boa vontade (2 de fevereiro de 2020).

Além disso, o Papa também publicou 76 cartas apostólicas, das quais 56 sob forma de Motu Proprio” – que significa “de sua iniciativa própria”, permitida pelas normas da Igreja e expedidas diretamente por ele. Há também as catequeses que são próprias do bispo de Roma. 

O que mudou na Igreja neste período?

Sem dúvida, o Papa escreve muito, viaja bastante, abre e fecha reuniões, faz muitos despachos no gabinete, celebra Missas, reza o suficiente e aparece publicamente para o povo de Deus. Mas em que isso impacta socialmente e para a Igreja?.

Em síntese, segundo informações jornalísticas, nesses 10 anos de pontificado do Papa Francisco, o número total de católicos no mundo passou de 1,253 bilhão em 2013 para 1,378 bilhão em 2021. Logo, um aumento de quase 10%.

Outro sinal significativo é o crescimento da educação católica global. Ou seja, mais jovens são educados em escolas católicas no mundo. Isso demonstra credibilidade para a fé e a doutrina da Igreja, reflexo do pontificado do santo padre.

Como resultado para a sociedade civil, dois acontecimentos foram fundamentais: o combate aos abusos sexuais que envolvem a Igreja, através do documento Vos Estis Lux Mundi; e as reformas implementadas no gerenciamento das contas do Vaticano, a fim de combater a corrupção e estabelecer transparência para a população.

Quem é o papa Francisco?

Depois de vermos todas essas ações, ainda podemos perguntar, Afinal, quem é este homem que também instituiu:

“24 horas para o Senhor” – a ser realizado na sexta-feira e no sábado que antecede o 4º Domingo da Quaresma, para facilitar que os fiéis participem do Sacramento da Reconciliação;

Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação – de cunho ecumênico, que se celebra, todos os anos, no dia 1° de setembro, instituído com o lançamento da encíclica Laudato si, no dia 24 de maio de 2015;

E o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos – a ser comemorado no 4º domingo de julho, próximo à festa de Sant’Ana e São Joaquim (26 de julho), avós de Jesus e protetores de todos os avós. 

Certamente, é uma pessoa humana com suas qualidades e defeitos.

No entanto, se você perguntar a quem já esteve perto dele, em resumo, ouvirá: simpático, atento, afetuoso e sem formalidades. Enfim, muito do que a humanidade precisa hoje como primeiro cartão postal antes de anunciar a fé. Esse é o Papa Francisco!

Por fim, possamos rezar pelo Papa Francisco, assim como ele sempre pede em suas aparições públicas; para que os próximos anos que virão sejam tão fecundos quanto todas estas obras já realizadas pela humanidade e pela Igreja. Deus abençoe o pontificado do papa Francisco! 

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Humildade: como e por que cultivar essa virtude

“Sem humildade, não encontramos o Senhor” Nos diz o Papa Francisco! E segundo Santo Agostinho:

“Para chegar ao conhecimento da verdade, há muitos caminhos: o primeiro é a humildade, o segundo é a humildade, e o terceiro é a humildade”.

Ou seja, conhecimento de Deus e de si mesmo são sinais de humildade. Mas por que e como cultivar essa graça? Vamos encontrar estas respostas agora!

O que não é humildade?

É difícil conceituarmos uma virtude tão nobre, mas é fácil dizer o que ela não é! Por isso, selecionamos alguns tópicos sobre esse “não”:

  1. Humildade não é sinônimo de submissão, passividade, resignação. A pessoa humilde não é aquela que aceita tudo sem dizer uma só palavra! Principalmente quando fere a dignidade da pessoa, algo que Deus resgatou para nós com sua Paixão.
  2. Humildade não é negar seus próprios talentos, colocar-se como frágil, vítima das situações. Quem vive a humildade reconhece os dons que tem, coloca-os a serviço e sabe agradecer a Deus e ao outro por ser útil.
  3. A humildade não é mentirosa, nem orgulhosa, ao contrário, o humilde reconhece sua limitação, é capaz de dizer “não” diante de uma prova e não se faz de super-herói diante dos desafios da vida e as armadilhas do pecado.

Portanto, essa virtude, é um dom divino que cresce de dentro para fora na medida em que conhecemos o Senhor em profundidade; ela não é superficial, logo não pode ser encenada, porque é exigente demais para se fingir! E só a entende quem compreende sua fonte! 

O grande modelo de humildade

Para entendermos essa virtude, precisamos olhar a vida de Cristo. Desde o seu nascimento, em condições desumanas, sua juventude no escondimento, a vida adulta como artesão, sua vida pública em missão até sua morte de cruz.

Diz-nos São Paulo:

“Embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas, esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” (Fl 2,6-7). 

Assim, com sua vida, Jesus nos fala sobre a humildade. Contudo, Ele não negou sua divindade, nem se vangloriou dela, mas colocou sua autoridade de Filho de Deus a serviço de todos, até as últimas consequências. Logo, humildade é sinônimo de verdade e serviço ao próximo.

Porém, só viveremos assim se nos relacionarmos sempre e mais intimamente com Jesus. Mesmo porque Ele deseja nos ensinar quando nos diz:

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

Então, a fonte dessa virtude é a convivência com o Mestre.

Como está a minha humildade?

Em uma de suas catequeses, o Papa Francisco nos fez esta pergunta:

“Como está minha humildade?”

Com base em quê? Através da reflexão que o pontífice fez, entenderemos por que precisamos cultivar essa virtude.

Então, o Papa recordou o encontro dos Reis Magos com o Menino Jesus e destacou o gesto que eles tiveram de se prostarem. Eles viajaram tanto para encontrar uma criança como Rei dos Judeus, mas não reclamaram, nem se revoltaram.

No entanto, adoraram a criança. Esse é um gesto humilde; eles acolheram o Senhor como Ele é – pobre e pequeno – e não como eles imaginavam. Logo, a prostração é sinal de humildade, é próprio de quem coloca ao lado suas ideias e dá espaço para Deus.

continua o santo Padre: 

“A adoração passa pela humildade do coração: aqueles que têm a vontade de superar os outros, não percebem a presença do Senhor”. 

Portanto, precisamos da humildade para nos parecermos com Deus, nosso Pai e Senhor.

Por fim, a pergunta encontra com outras: “Olhando para os Magos, nos perguntamos: como está minha humildade? Estou convencido de meu orgulho? Sou capaz de abraçar o ponto de vista de Deus e do outro? E o remédio para a falta de humildade é a adoração.

Os santos nos mostram o caminho desta virtude

Todos os santos fizeram o caminho da humildade. Há exemplos grandiosos que nos inspiram a buscar esta virtude para crescermos no amor a Deus e ao próximo. Mas falemos de alguém que é brasileiro como a gente: Santa Dulce dos Pobres.

Dois exemplos seus nos ajudam a entender a força da humildade: quando pediu esmola para os pobres e recebeu saliva em sua mão, então respondeu que a saliva era para ela e estendendo a outra mão, pediu a doação para os pobres! Quanta humildade!

Sabemos que ela foi exclaustrada, ou seja, tirada da clausura pela Congregação por causa da missão. Mas se manteve religiosa, sozinha até que a vontade de Deus se tornou clara para seus superiores e eles a apoiaram! Parece injusto, mas é real!

O caminho da humildade não é fácil, mas gera frutos de verdadeira conversão. Assim foi com Santa Dulce e não é diferente para aquele que ama a Deus. Do mais, não nos esqueçamos da Santíssima Virgem de quem bem falou Santo Afonso: 

“Humildíssima Senhora e Mãe de Deus, Maria, vós que em tudo, mas particularmente no sofrer, fostes a mais semelhante a vosso Filho, alcançai-me a graça de suportar em paz os ultrajes que de hoje em diante me forem feitos”.

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São José: 5 maneiras de fortalecer a sua devoção Josefina em março

São José é um santo admirável, e não é à toa que o mês de março é dedicado a ele. Logo, seu mês antecede justamente o mês de maio, que é dedicado em honra a Nossa Senhora e ambos cuidaram de Jesus com total dedicação, segundo o coração do Pai do Céu. 

Sobre ele, o Papa Francisco escreveu:

“Os dois evangelistas que puseram em relevo a sua figura, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o gênero de pai que era e a missão que a Providência lhe confiou.”

Assim, o Santo Padre utiliza duas palavras que definem bem o caráter e a missão de São José: pai e homem escolhido pela Providência de Deus. Isso sem dúvida é suficiente para darmos graças e louvores ao pai adotivo de Jesus.

São José, um homem segundo o coração do Pai!

São José esperava a salvação do seu povo, prometida aos seus pais da fé; era descendente de Davi, porque Jesus vinha dessa descendência para que sua missão tivesse validade. Logo, era um homem de fé, de esperança e caridade. 

Era um homem do Espírito Santo, sensível à voz de Deus, que se apresentou a ele por meio de quatro sonhos; e o homem de Deus entendeu, acolheu Maria e a missão que o próprio Deus lhe confiou. Sua abertura ao Espírito era abertura à Trindade Santa.

Homem corajoso, experiente! Não poderia ser diferente para enfrentar as inseguranças do caminho até que Jesus estivesse pronto para cuidar das obras de seu Pai. Sua coragem não foi provada, mas comprovada diante das fugas para proteger o Menino e sua Mãe.

Representa o modelo de fidelidade, castidade, obediência e disposição em fazer a vontade de Deus. Além de ser um trabalhador – ele sustentou sua família com o suor de seu trabalho. E não há privilégios para José, mas testemunho de responsabilidade com a obra divina.

Há muitos motivos para ser devoto de São José

São Tomás de Aquino diz com propriedade:

“Alguns santos têm o privilégio de estender-nos seu patrocínio com eficácia específica em determinadas necessidades, mas não em outras; mas nosso santo padroeiro São José tem o poder de nos ajudar em todos os casos, em todas as necessidades, em todos os empreendimentos. ”

Se São Tomás de Aquino, juntamente com os Papas da Igreja e demais santos, nos recomenda a devoção a São José, o que estamos esperando então? Por isso, separamos 5 maneiras de fortalecermos nossa fé e nos tornamos amigos de São José! Confira:  

Tenha uma imagem de São José

A imagem de São José acompanha todo devoto e é uma bênção para a família inteira. Existem diversas formas de representar o santo Patriarca: trabalhando, com Jesus nos braços; com Maria e o Menino; dormindo; e sozinho. Então escolha a que mais lhe afeiçoar e faça as orações próprias a ele! São inúmeras, inclusive ofício, terço, novenas e ladainhas. As orações são por diversas necessidades, mas escolha uma em particular para esse mês de março e experimente o prestígio que São José tem diante de Deus.

Ajude uma família necessitada

Se há algo que agrada a qualquer pessoa é a caridade! E São José sabe quantos trabalhadores, pais e mães de famílias estão necessitados de ajuda. Assim como ele se empenha em interceder por nós, também espera nossa gratidão através da ajuda ao outro.

Faça um altar com flores e velas

Especialmente no mês de março, podemos ornar o altar de São José com flores, mesmo no Tempo da Quaresma! Deus o escolheu e se alegra conosco quando reconhecemos isso. 

Portanto, escolha um lugar, prepare o altar, coloque velas, flores e faça suas orações, principalmente às quartas-feiras, dia dedicado na liturgia a São José.

Adoração ao Santíssimo sacramento

O centro de nossa fé é Cristo Ressuscitado. E isso não foi diferente para José! Logo, ele esteve com o Menino durante pelo menos 12 anos, quando a criança foi apresentada ao templo, e o Evangelho não fala sobre sua morte, mas a presença de Jesus foi motivo de adoração!

Portanto, adorar Jesus é uma atitude de todo devoto de São José. Se honramos o pai adotivo, muito mais amamos o Filho. E quem assim o faz, recebe os benefícios das duas partes, porque, dizem as Escrituras, que Jesus era submisso a José, Ele o honrava. 

Conclua suas orações sempre honrando o Pai de Céu e a Virgem Maria

As nossas orações no mês de março estão voltadas para São José, mas o santo se volta para o Filho de Deus e sua Mãe, a esposa de José. Assim, é importante entrarmos em comunhão com todos eles. Por isso, após suas devoções, termine com o Pai-Nosso e a Ave-Maria em honra aos dois corações a quem São José amou e foi amado sempre.

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Quaresma, instrumento de conversão e vida nova

A Quaresma é um tempo de muita graça porque nos prepara para a celebração do centro de nossa fé, o Tríduo Pascal, ou seja, a memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Apesar de todo domingo vivenciarmos a ressurreição do Senhor, inclusive nos disse São João Paulo II que o domingo é o senhor de todos os dias por esse motivo, é importante valorizar a vida de Cristo a partir do ponto alto de sua missão que aconteceu na semana santa.

Logo, a Quaresma é uma proposta, um caminho, uma oportunidade de novamente abraçar a salvação de Cristo em nossa vida. E para trilhar bem essa estrada, preparamos este post!

A Quaresma nos traz a proposta para um novo coração

É normal que alguém se pergunte por que viver a Quaresma todo ano se Cristo já morreu e ressuscitou? De fato, Ele está vivo, mas e quanto a nós? Será que vivemos a vida nova que o Senhor nos deu de graça através de sua morte e ressurreição?

Com certeza, ainda há muito para melhorarmos. No entanto, a Igreja, como mãe e educadora, nos relembra, através da Quaresma, que estamos a caminho da vida nova cada ano que passa. E onde vamos experimentar o amor de Deus? No coração.

De forma que o coração é o lugar onde acontece a verdadeira experiência de Deus. O Evangelho nos diz que “do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adulté­rios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias.” (cf. Mt 15,19)

Então são nossas intenções – o que está dentro de nós – que precisam mudar a fim de que o mundo veja que Cristo vive de verdade. Para isso, a Quaresma existe, ano após ano, para que abracemos o Evangelho, como uma decisão do coração, por amor a Deus e aos irmãos.

Práticas indispensáveis da Quaresma

Então, a Quaresma é um meio para alcançar um coração semelhante ao Coração de Deus. Porém, não é fácil alcançar a transformação do coração, ninguém consegue por suas próprias forças, porque logo cansa. Mas o Evangelho nos dá as ferramentas certas:

  1. A oração: a prática da oração na Quaresma é sincera. O Evangelho da quarta-feira de cinzas diz: “…quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai…” (Mt.6,1ss). O quarto é o lugar da intimidade, onde ninguém se esconde. Logo, é diante de Deus, na oração, que reconhecemos nossa pequenez, nossa grandeza e em que precisamos melhorar. Faça essa experiência com a verdade do seu coração!
  2. O jejum e a penitência: o jejum e a penitência são práticas sadias. Através deles oferecemos a Deus a carne – nos dias prescritos – e algo que nos impeça de viver as bem-aventuranças do Evangelho. Portanto, não é nada fácil, nem simples, mas que nos recorda em que aspecto da vida precisamos de conversão. Observe o jejum e a penitência como um caminho de libertação. Liberte seu coração!
  3. A caridade: O evangelho fala sobre a esmola na Quaresma. Quando jejuamos, a intenção é dar de comer a alguém. Isso pode acontecer através da doação de alimentos ou dinheiro aos pobres. Não há conversão sem caridade, assim como não se ama a Deus sem amar o outro. Logo, pratique a doação e desapegue o coração!

A Campanha da Fraternidade é o ato de caridade

Na Quaresma, a Igreja nos propõe um caminho de caridade através da Campanha da Fraternidade. A iniciativa nasceu em 1964, de uma inspiração de Dom Eugênio Sales, no Rio Grande do Norte, como uma expressão de amor e solidariedade a toda pessoa.

Campanha da Fraternidade tem hoje os seguintes objetivos permanentes:

  • Despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum;
  • Educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho;
  • Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária.

Este ano tem como tema “Fraternidade e fome” e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). A escolha não é aleatória, mas se une à difícil realidade da fome vivida por muitas famílias no Brasil. 

E a Igreja dá sua contribuição através de campanhas solidárias, que acontecem no Brasil inteiro, e da coleta realizada no Domingo de Ramos como um dos gestos concretos de conversão Quaresmal para com os pobres.

Cheguemos às festas Pascais!

Após o itinerário quaresmal, cheguemos à meta: a Páscoa do Senhor. Mas qual será a diferença deste ano para nossas vidas? Serão muitas, se levarmos a sério o trabalho no coração, através das ferramentas que o tempo nos oferece.

Nenhuma quaresma é igual, mas cada uma é única! E em cada esforço nosso, vem em nosso auxílio o Espírito Santo de Deus. Logo, nunca estamos sozinhos.

Dia Nacional de Combate às Drogas e Alcoolismo

O Dia Nacional de Combate às Drogas e Alcoolismo é recordado todo dia 20 de fevereiro. Esse é um tema muito discutido e delicado. Por isso, o dia tem por objetivo alertar e despertar a população sobre os impactos que o uso de substâncias ilícitas e o álcool geram.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência de drogas lícitas ou ilícitas é uma doença e um problema de saúde pública que exige atenção de todos os países, devido às graves consequências que causa à sociedade.

Este post explica mais sobre esse tema e deseja contribuir com informações e formações sobre o assunto. Veja o que preparamos!

Por que o Combate às Drogas e Alcoolismo?

Parece uma pergunta sem lógica, mas é necessária. Sabe-se que o consumo de drogas ilícitas e de álcool não é novidade e só crescem as estatísticas de pessoas que se tornam consumidores ativos desses produtos.

Por isso, essa data é fundamental para estimular a reflexão sobre diversos assuntos, sejam os efeitos, as prevenções e as políticas públicas de Combate às Drogas e ao Alcoolismo. Faltam ainda muitos estudos e esclarecimentos educativos para promoção da saúde.

Segundo a OMS, a dependência química de drogas lícitas ou ilícitas é uma doença. O uso descontrolado de álcool, cigarro, crack, maconha, cocaína, entre outros, afeta o mundo inteiro porque prejudica valores culturais, sociais, econômicos e políticos.

O alcoolismo, por exemplo, é uma doença crônica que influencia aspectos comportamentais e socioeconômicos. Da mesma forma, o uso de drogas causa graves problemas físicos e emocionais nos dependentes, sem falar no sofrimento da família. 

No Combate às Drogas e Alcoolismos quem são os inimigos?

Atualmente, divide-se os tipos de drogas da seguinte maneira: 

  • Naturais: como maconha e ópio, derivadas de plantas; 
  • Semissintéticas: que são a heroína, cocaína e crack, feitas de componentes naturais, mas processadas; 
  • Sintéticas: fabricadas completamente em laboratórios, tais quais ecstasy e LSD. 

Há ainda outras que existem no anonimato e são produzidas de todo jeito para facilitar o acesso principalmente de quem não tem dinheiro para comprar as drogas mais caras. Por isso o Combate às Drogas e Alcoolismo se torna tão complexo, porque é um inimigo invisível.

Porém, as sensações são comuns, entre elas: euforia, excitação, relaxamento e alteração da percepção da realidade. Tudo isso faz com que um indivíduo recorra a elas com mais urgência, a cada novo uso, e a qualquer custo.

Mas os efeitos são perigosos! As drogas têm potencial para causar problemas no coração, pulmões, fígado e cérebro, impactando diretamente o sistema nervoso e gerando crises de abstinência após períodos maiores em que não são utilizadas.

Com o álcool é diferente? Apesar de ser uma droga lícita, altamente vendida e aceita socialmente, o consumo excessivo e recorrente dessa substância traz sérios riscos à saúde, inclusive dependência alcoólica, que leva a tratamentos com profissionais especializados.

Quem mais se prejudica

Os levantamentos sobre os consumidores de drogas e álcool são alarmantes, principalmente entre os jovens. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016), a saúde escolar está prejudicada.

Uma vez que a porcentagem entre consumo frequente de álcool e até embriaguez é bem estreita, como também, o uso do cigarro. É importante destacar que o cérebro do jovem é um órgão em maturação e o consumo dessas substâncias é prejudicial para um desenvolvimento saudável.

Mas os jovens não estão sozinhos nesta escala de consumo, os idosos também são uma faixa etária crescente de consumo principalmente de álcool. O envelhecimento muitas vezes gera diversas situações, como: baixa estima, saudade da família, isolamento social.

De forma que esses fatores afetam o psicológico e, não raramente, levam as pessoas idosas a fugirem da realidade em substâncias químicas, normalmente começando com uma dose e progredindo no consumo até que ele ocorra de maneira descontrolada.

Mas onde está a verdadeira liberdade?

Falamos sobre as substâncias ilícitas e o álcool, suas consequências e os prejuízos na vida e na sociedade. Porém, por que as pessoas se envolvem com as drogas a ponto de se tornarem dependentes? Não existe uma única resposta, mas há muitos fatores.

E principalmente, em uma sociedade extremamente materialista, as pessoas buscam o verdadeiro sentido da vida, mas infelizmente optam por caminhos difíceis. Há uma crise existencial em cada pessoa humana que apenas tem alívio no Criador.

E é em Deus que a pessoa humana encontra a resposta para a sua sede de felicidade. Deus nos ama e nos fez livres, logo a liberdade é o caminho e a proposta contra qualquer tipo de dependência que causa a escravidão e rouba a dignidade humana.

Portanto a liberdade é a qualidade divina que motivou São Pedro Nolasco, fundador da Ordem Mercedária, a lutar pela recuperação dos cativos, há mais de 800 anos, através de ações concretas, como a doação da própria vida e o anúncio do Reino de Deus. 

Podemos aliviar essa dor!

A dor é sinal de que algo não vai bem. Sabemos que se não houver o combate às drogas e ao alcoolismo, os problemas só pioram e se enraízam mais. No entanto, toda ajuda à pessoa dependente e às famílias é um sinal de paz sobre um grande conflito.

Mas Deus tem uma resposta para tudo! Por isso nos presenteou com o Recanto Mercê, um lugar de misericórdia, onde jovens são resgatados das drogas através espiritualidade e ajuda especializada, além de aprenderem um ofício para reconstruir a vida após as drogas.

O Recanto Mercê fica em Alexânia-GO e é administrado pela Ordem Mercedária, que tem a missão de levar a pessoa humana a uma profunda experiência de libertação, combatendo todos os instrumentos de escravidão dos tempos modernos.

Atualmente, a casa tem capacidade para 20 jovens e há muitos na fila. Então, que tal se tornar um benfeitor desta obra e investir na recuperação de uma pessoa, da família e da sociedade, porque todos são beneficiados quando um dependente químico se recupera.

Conheça mais sobre o Recanto Mercê aqui

Bakhita, a escrava que se tornou santa

O nome Bakhita significa “afortunada”. Mas não sabia a menina, raptada aos 9 anos, que a fortuna que a esperava iria libertá-la da escravidão para sempre e torná-la a padroeira dos escravos e intercessora pelos sequestrados.

São suas as seguintes palavras:

“Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensa de vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-Lhe homenagem”.

Mas como uma menina que experimentou a dor da escravidão no corpo e na alma pôde oferecer tudo a Deus e perdoar seus torturadores? Essa é mais uma história incrível do amor de Deus, que não conhece fronteiras para salvar aqueles que ama! Confira!

A história de Bakhita começa no Sudão

Bakhita nasceu no Sudão, África, em 1869. Com apenas  9 anos a sequestraram da família. O trauma foi tão grande que ela esqueceu o próprio nome. Os raptores a venderam várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum, e como escrava conheceu a dor, a humilhação e a violência.

Então, após quase 10 anos, na capital do Sudão, Bakhita foi comprada por um Cônsul italiano chamado Calixto Legnani. Depois de tanto tempo, ela que acostumou-se com o chicote e a repressão, recebeu afeto e atenção em sua nova casa.

Mas as situações políticas obrigaram o Cônsul a partir para a Itália. Bakhita pediu para ir junto, e assim atenderam a seu desejo.  Mas, na Itália, uma nova família a esperava; ela foi morar em Veneza e tornou-se babá de “Mimina”, filha do novo casal que a acolheu.

No entanto, os ventos sopraram novamente a favor de Bakhita: a esposa do casal precisou viajar para ajudar o marido nos negócios da família. Foi, então, que Bakhita e a menina foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. 

Bakhita encontra-se com a liberdade!

Durante nove meses, Bakhita e Mimina estiveram com as Irmãs Canossianas. Dessa forma viveu como que um tempo de gestação, tonando-se conhecida como a irmã “Chocolate” até o dia em que ela recebe o batismo com o nome de Giuseppina Margherita Fortunata. Logo depois, recebe também o crisma e faz a primeira comunhão.

Durante o tempo em que esteve com as Irmãs, ela encontrou-se com a fonte da liberdade e pediu aos patrões para seguir o caminho da vida religiosa como prova de seu amor a Deus, a quem passou a chamar com carinho de “o meu Patrão”.  

Assim, com 24 anos, em 1893, entra no noviciado das Canossianas. Três anos depois, Josefina Bakhita se consagrou para sempre a Deus como filha da caridade e, por mais de cinquenta anos, dedicou-se às diversas atividades da Congregação com humildade.

Era chamada de “Irmã Morena”, conhecida e estimada pelas Irmãs pela generosidade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. Bakhita transformou toda a dor da escravidão em oferta a Deus, perdoou todos que a fizeram sofrer por causa de Cristo.

Testemunha do Amor

“Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se soubéssemos que grande graça é conhecer a Deus!”.

Bakhita falava o que sentia, transbordava gratidão por onde passava, porque dizia que tudo concorreu para que ela conhecesse a Deus.

Dessa forma, mesmo com a doença longa e dolorosa da velhice, Irmã Bakhita testemunhava fé, bondade e esperança cristã. A todos que a visitavam e lhe perguntavam como se sentia, ela respondia sorridente: “Como o Patrão quer”. 

Irmã Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na Casa de Schio, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Uma multidão acorreu logo à casa do Instituto para ver pela última vez a sua “Santa Irmã Morena”, e pedir-lhe a sua proteção lá do céu

Muitos foram os milagres alcançados por sua intercessão. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e elevada à honra dos altares em 2000, pelo mesmo Sumo Pontífice. O dia para o culto de “Santa Irmã Morena” foi determinado o mesmo de sua morte.

Oração a Santa Bakhita

Ó Santa Josefina Bakhita, que, desde menina, foste enriquecida por Deus com tantos dons e a Ele correspondeste com todo o amor, olha por nós. Intercede junto ao Senhor para que cresçamos no Seu amor e no amor a todas as criaturas humanas, sem distinção de idade, de raça, de cor ou de situação social. Que pratiquemos sempre, como tu, as virtudes da fé, da esperança, da caridade, da humildade, da castidade e da obediência. Pede, agora, ao Pai do Céu, oh Bakhita, as graças que mais preciso, especialmente (pedido). Amém.

Os veneráveis da Ordem Mercedária: quem são eles?

No dicionário, veneráveis são aqueles que tornam-se dignos de veneração; aqueles que merecem respeito. Logo, são pessoas que podemos imitar, porque deixaram exemplos louváveis que beneficiam a vida de muitos e contribui com a melhora da sociedade.

E vida de Cristo é inspiração de virtudes para todos os batizados, e alguns, de forma especial, conseguiram imitá-lo tão de perto que deixaram testemunhos e obras que permanecem em pé até hoje.

Mas quem são essas pessoas veneráveis? Vamos responder neste post e contar a história de duas pessoas virtuosas da Ordem Mercedária. 

Veneráveis são imitadores de Cristo

A história da Igreja está repleta de pessoas que amaram a Deus e entregaram suas vidas pela causa do Reino. Alguns desses cristãos se destacaram por suas qualidades heroicas que admiram o mundo até hoje.

Por exemplo, Irmã Dulce dos Pobres, a primeira santa brasileira, se dedicou aos pobres, construiu um hospital para os doentes e um lar para as crianças abandonadas; sua vida emociona e atrai colaboradores para sua obra de todas as partes do mundo.  

Santa Dulce só teve o seu nome escrito no cânon da Igreja depois de passar pelo processo de canonização, cujo primeiro passo é o reconhecimento de suas virtudes heroicas, ou seja, a Igreja Católica concede o título de venerável.

No entanto, esse reconhecimento tem como espelho a vida de Cristo, seu exemplo, seu amor e entrega a Deus. Assim, o que demonstra que o candidato é venerável é a prática das virtudes teologais de Fé, Esperança e Caridade, unidas às virtudes cardeais

Claro que a pessoa testemunha essas virtudes em vida, mas concede-se o título somente após a morte do venerável, quando começa o processo de sua canonização.

Veneráveis mercedários

Mas, onde podemos encontramos pessoas veneráveis?

Na Igreja e no mundo. Porque muitos são os testemunhos de leigos, sacerdotes, religiosas, jovens e até crianças que seguiram a Cristo e cultivaram a santidade por onde passaram e são reconhecidos pela Igreja.

E entre eles estão os veneráveis da Ordem Mercedária, uma família religiosa presente nos 4 continentes, 22 países,152 comunidades. A Ordem foi fundada em 1218 por São Pedro Nolasco com o objetivo de resgatar os cristãos capturados e obrigados a trabalhos forçados.

Os Mercedários, ao longo de oito séculos, continuam anunciando a liberdade aos filhos de Deus que sofrem no corpo e na alma diversas formas de escravidão. Como também presentearam a Igreja com santos, santas e histórias de santidade veneráveis.  

São muitos testemunhos de homens e mulheres, mas destacamos dois que são lembrados neste mês de outubro.

Um santo no Piauí: conheça Dom Inocêncio, bispo

João Nepomuceno Zegri e Moreno

João Nepomuceno Zegri e Moreno nasceu em Granada, Espanha, no dia 11 de outubro de 1831, no seio de uma família cristã. Seus pais o formaram como um verdadeiro cristão e deram-lhe uma rica educação que o capacitou para abraçar sua vocação logo cedo. 

Em 02 de junho de 1855, realizou seu sonho de ser sacerdote. E então o venerável começou sua carreira de santidade abraçando desafios e respondendo aos obstáculos com as virtudes da fé, esperança e caridade, principalmente junto aos mais pobres.

Como homem de Deus, foi um evangelizador incansável; gostava de rezar, meditar e escrever seus sermões. Ocupou cargos importantes, mas sempre viveu a maravilhosa humildade de Deus; preocupou-se com os problemas sociais e não cruzou os braços.

Mas sentiu-se chamado a fundar uma Congregação religiosa feminina para libertar os seres humanos de suas escravidões; e assim colocou a nova família religiosa sob a proteção e inspiração de Nossa Senhora das Mercês.

Após provar de muitas humilhações e perseguições pela própria congregação que fundou, morreu em 17 de março de 1905. Mas a Igreja o proclamou venerável em 21 de dezembro de 2001. 

Além de uma vida virtuosa, o venerável dedicou-se a escrever intensamente. Logo, deixou uma rica espiritualidade que alimenta as religiosas, os mercedários da caridade e tantas pessoas leigas que, impressionadas pela sua vida e caridade, querem seguir o mesmo caminho.

A virtuosa Isabel Lete Landa 

Ela se chamava Regina; nasceu em 7 de setembro de 1913, na Espanha. Em 1918, seu pai morreu, sua mãe foi internada em um hospital psiquiátrico e a menina foi confiada aos seus tios. E já adolescente cuidou dos doentes da guerra em seu país.

Mas sua vida de intimidade com Deus a conduziu às Irmãs da Misericórdia da Caridade (Mercedárias), em 1929, quando recebeu o nome de Isabel. Assim como Teresinha de Jesus, ela se ofereceu por amor e viveu uma espiritualidade simples, humilde e profunda.

Já na vida religiosa, foi enviada para trabalhar em um hospital para doentes de tuberculose e contraiu a doença, que a levou à morte em 13 de outubro de 1941, aos 28 anos. Mas a vida de quem ama a Deus não morre nunca, transforma-se em semente de vida.

As Irmãs Mercedárias testemunham o quanto a vida da venerável Isabel Lete Landa foi um exemplo que apaixonou a todos, porque ela entregou-se totalmente a Deus ao serviço do próximo sem se poupar; sua vida era toda amor.

E assim confirmou a Igreja quando a declarou venerável pelo Papa Bento XVI, em 2006. Logo, seu testemunho se tornou alimento espiritual para toda a Igreja, em qualquer lugar e tempo.

Agora, sigamos os passos dos virtuosos Isabel Lete Landa e João Nepomuceno Zegri e Moreno.

Conheça também a história do Sacerdote Mercedário que fundou o primeiro hospital psiquiátrico do mundo

Conheça as ações missionárias dos Mercedários

As ações missionárias dos Mercedários têm sua força nesta passagem bíblica:

“Disse-lhes outra vez: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós”.”(cf.Jo.20,21).

Mas o que significa missão para a Igreja e qual a sua importância para uma Ordem religiosa?

Antes de Jesus subir aos céus, Ele enviou os apóstolos para continuar a anunciar ao mundo o plano do Pai: a salvação do gênero humano.

Dessa forma, o envio do Mestre e a força do Espírito Santo em Pentecostes, os apóstolos seguiram com o anúncio do evangelho.

Porém, hoje, essa responsabilidade se estendeu à vida de cada batizado, pastoral, movimento e Ordem religiosa.

Portanto, à missão da Igreja se unem todos aqueles que desejam tornar Cristo amado e conhecido, e  as ações missionárias dos Mercedários são parte dessa contribuição!

Vamos, então, conhecê-las e bendizer a Deus por tantas vidas salvas através delas. Confira!


A seta para as ações missionárias dos Mercedários


O Espírito Santo de Deus sempre encontra uma forma de atualizar o evangelho no mundo, e para isso, ele sabe com quem pode contar! Dessa forma, ele encontrou no coração de Pedro Nolasco a disponibilidade para começar uma obra bem específica.

Vale a pena lembrar, que a primeira inspiração de Pedro Nolasco aconteceu através do contato dele com os aprisionados pelos mouros como escravos para trabalhar na África.

E, então, Nolasco começou a pagar pela libertação deles, mas a Providência Divina já lhe reservava algo muito maior.

Assim, nasceu, no século XVIII, a Ordem Mercedária, uma família religiosa que traz o carisma do seu fundador – São Pedro Nolasco – e a missão de anunciar a libertação a todos os cativos, seja do corpo ou da alma.

Dessa forma, a Ordem Mercedária, ao longo de oito séculos, vem contribuindo com a edificação do reino de Deus através de suas ações missionárias.

E a primeira delas é levar a experiência de Deus ao coração de cada pessoa humana.

O Redentor nas ações missionárias dos Mercedários


Mas por onde começa a missão? A partir da acolhida do anúncio do evangelho em primeira pessoa.

Ou seja, quando cada um acolhe a palavra, a oração, a presença de Cristo nos sacramentos e faz seu caminho de retorno ao Amor de Deus.

Portanto, a missão começa com a busca pela conversão pessoal. No entanto, quem sempre tem a primeira iniciativa é Deus, como nos diz São João:

“Deus nos amou primeiro” (cf. I jo.4,19).

E há o momento de esse encontro amoroso se transformar em vocação.

Dessa forma, a primeira ação missionária dos Mercedários é o anúncio de Cristo com a própria vida!

E você sabia que os Mercedários fazem um quarto voto de redenção? Para dizer que estão dispostos a dar a própria vida pela salvação do outro.

Para os Mercedários, o Redentor é o centro do movimento espiritual em suas vidas e Ele traz a mensagem do Pai que os move: o amor misericordioso e toda obra redentora em favor de cada ser humano. 

Logo, o carisma Mercedário de libertar os cativos se une à obra redentora do Salvador que deseja a liberdade de seus filhos e filhas, além de que a Virgem Maria tem uma grande participação nessa obra de evangelização.

A estrela das ações missionárias mercedárias

A Virgem Maria, a Senhora das Mercês,  é a estrela que nos guia ao encontro com o seu filho Jesus.

Não é à toa que ela recebeu o título de “Estrela da nova evangelização”, porque ela nos aponta sempre o Cristo, logo não existe anúncio do reino sem passar por Ela.

De fato, Deus quis assim quando fez nascer a Ordem Mercedária, porque a visão que São Nolasco teve com a Virgem Maria foi decisiva para ele levar adiante a nova fundação em favor dos cativos. Dessa forma foi colocada, sobre a proteção e os cuidados de Nossa Senhora, com título de Mercês, todas as obras mercedárias. 

Leia também: Por que o título à Nossa Senhora das Mercês?

As ações missionárias dos Mercedários têm uma Mãe misericordiosa e atenta às necessidades de seus filhos, prova disso são as ajudas recebidas, desde o início da Ordem, que eram dadas em honra a Nossa Senhora.

Agora, a experiência, o carisma, a espiritualidade e a missão foram ganhando forma ao longo dos anos e, hoje, as ações missionárias dos Mercedários é vista no rosto de cada pessoa alcançada e beneficiada por essa obra.

Vamos conhecer!

Ações missionárias dos Mercedários

A missão de um Mercedário é comunicar a libertação a toda pessoa humana e esse anúncio acontece de diversas formas, vamos elencar as principais.

As paróquias 

A paróquia é o lugar da comunidade, dos irmãos, dos filhos (as) de Deus. E para o Mercedário, ela é lugar do encontro, do serviço, da celebração dos sacramentos, da liturgia, e a oportunidade de refletir o compromisso redentor da Trindade com o povo de Deus; o lugar da missão por excelência.

Atualmente, eles estão presentes em 4 continentes, 22 países e 152 comunidades.

As escolas 

As Escolas Mercedárias são espaços de promoção de valores humanos e evangélicos, e um meio de formar cidadãos e cristãos livres dos cativeiros modernos.

Assim, a Ordem pensa e atua nesses ambientes promovendo uma educação libertadora que atinja todas as realidade sociais e econômicas, buscando uma resposta criativa e concreta para cada realidade.

Leia mais: A importância dos relacionamentos familiares para a educação católica

A pastoral penitenciária 

A pastoral penitenciária é uma ação que se aproxima muito do carisma de São Pedro Nolasco, porém dentro de uma outra realidade.

Por isso, os Mercedários atuam nas penitenciárias prestando um serviço integral: para quem está preso, sua família, para os trabalhadores dos presídios, como também favorece e acompanha a inserção dos libertos na sociedade.

As casas de acolhida 

As casas são locais de hospitalidade para pessoas com diferentes necessidades.

Portanto, a falta de casa, resgate da dignidade: imigrantes, viciados, moradores de rua, mulheres e/ou famílias vítimas de violência de género ou tráfico de seres humanos e outros flagelos que atacam a pós-modernidade.

Assim, elas encontram nas casas de acolhida um amparo e apoio necessários para enfrentar as fatalidades da vida.

Os projetos educativos e sociais 

Os projetos atuam em diversas áreas, desde creches até recuperação de dependentes químicos e têm por objetivo trabalhar a consciência do povo diante de seus direitos e das situações de exploração, seja cultural, social ou econômica.

Assim, as ações missionárias Mercedárias visam incentivar nas pessoas o protagonismo de projetos; o fortalecimento de sua autoestima e a recuperação de suas histórias de vida.

Conheça o Recanto Mercê

Os Migrantes e refugiados 

Em resposta ao evangelho que diz: “Eu era estrangeiro e você me acolheu” e ao convite misericordioso do Pai, os Mercedários atuam junto ao irmãos migrantes e refugiados através do acolhimento, promoção da justiça, garantindo proteção e inclusão em diversas situações de vulnerabilidade.

Com cuidado redentor, os Mercedários procuram, por meio da ação pastoral, também atender a saúde psicológica, social e espiritual das pessoas com o propósito de buscar a recuperação integral da dignidade humana.

Os Centros de espiritualidade 

As casas de espiritualidade Mercedária são presenças pastorais que tornam visíveis, de maneira especial e concreta, a missão redentora entre religiosos e leigos.

Logo, são coordenados e animados pelos religiosos Mercedários, com a ajuda de leigos que se identificam e pertencem à Ordem.

Estas áreas tornam presente o carisma redentor através de várias dimensões: culturais, espirituais,  sociais, educacionais e outros.

Por fim, se a vida e a missão falam de Cristo Redentor e de sua Mãe, a Senhora das Mercês, então estamos no caminho certo. Venha conhecer de perto o que relatamos neste post.

O centenário da chegada dos Mercedários ao Brasil

Como pode uma história durar tanto tempo? Imagine 100 anos na vida de uma pessoa!? Ou ainda mais, um centenário de uma Ordem religiosa! Quantas histórias elas guardam! É exatamente de tempo e história que vamos conversar:  conheça o centenário da chegada dos mercedários ao Brasil.

“Em 1922 o Papa Bento XV encomenda à Ordem a Prelazia de Bom Jesus do Gurgueia”, no Piauí. Em uma época difícil de evangelização, em terras distantes e desafiadoras, chegam os religiosos de São Pedro Nolasco

Mas quem é São Pedro Nolasco? E de que Ordem estamos tratando? Nolasco é o fundador da Ordem dos Mercedários, que em 2018 comemorou 800 anos de existência no mundo, e em 2022 celebra 100 anos de sua chegada ao Brasil.

Sendo assim, há muita história, dor, entrega, obras e vocações ao longo de um século. Portanto, para celebrarmos essa data, preparamos este post especial.

Motivo da chegada do mercedários ao Brasil

Em 1922, os Mercedários celebravam o capítulo geral em Roma. Então, o recém-eleito Mestre Geral, padre Inocêncio López Santamaría, em uma conversa com o Papa Bento XV, expôs seu desejo de enviar missionários mercedários para a China.

No entanto, o santo Padre tinha outras urgências que a Providência Divina já preparava para a Ordem Mercedária: a evangelização em uma nova Prelazia ao Sul do Piauí, nas terras brasileiras.

Assim, após consulta aos capitulares em Roma, foi então aceito o pedido do Papa e nomeado como Administrador Apostólico o padre Pedro Pascual Miguel Martinez, da Província de Castela, no México.

Com certeza, há muita história, dor, entrega, obras e vocações ao longo de um século. Mas como tudo começou aqui no Brasil? Quem são os protagonistas desta jornada que deixou tantos frutos para as vidas e para a Igreja?

Em vista do centenário da chegada dos Mercedários ao Brasil, celebrando essa data, preparamos este post especial. Confira até o fim.

Piauí: terra do centenário da chegada dos mercedários ao Brasil

À época de 1922, o Brasil sofria os efeitos da gripe espanhola, uma pandemia que causou cerca de 35 mil mortes, entre 1918 e 1919;  Também acontecia a semana de arte moderna em São Paulo, na tentativa de tirar a literatura das influências europeias.

Mas também, deram-se início às revoluções (Coluna Prestes, a criação do Partido Comunista) até o início da Era Vargas em 1930; sem falar na desigualdade, preconceitos e racismo que persistem até hoje. Tudo isso era o cenário do Brasil na década de vinte.

Ora, se nas grandes cidades se encontravam disputas políticas, dificuldade econômica e desigualdade social, imaginemos a situação das cidades e povoados mais distantes, de modo que era essa a realidade do Piauí e de muitas cidades do nordeste: carentes de tudo. 

Assim, os primeiros Mercedários encontraram aquela província: um sertão esquecido, sem energia elétrica, indústrias, escolas, cen­tros de saúde; muito menos estradas de rodagem para uma viagem menos perigosa.

Porém, não foi à toa que D. Fr. Pedro Pascual Miguel Martínez e o Pe. Francisco Freiria Mallo tiveram de viajar quatro meses em uma difícil caminhada, ficando em São Rai­mundo, a 517 km de Teresina, onde tomaram posse da prelazia, uma vez que era difícil o acesso a Bom Jesus do Gurguéia.

Um chão regado de suor e santidade

Com a chegada de outros missionários, formou-se a comunidade. Logo, deram início então a evangelização com muita dedicação, apesar de toda dificuldade de locomoção e as distâncias percorridas para visitar as famílias da região.

Sendo assim, passaram muitos missionários por esta vasta terra de missão e construíram a história do centenário dos Mercedários no Brasil. Um deles, padre Pedro Nolasco Rebiere, permaneceu apenas três meses, vindo a falecer vítima da febre que assolava o país. 

Contudo, outro notável frei mercedário foi Dom Inocêncio López Santamaria. Sua dedicação e obras em favor do povo de sua diocese foi intensa. Ele era conhecido como Santo Inocêncio, porque sua atividade apostólica não se resumia na evangelização, mas se estendeu em favor das necessidades básicas da população.

Dessa forma, Dom Inocêncio foi um protagonista importante na escrita da história do centenário da chegada dos mercedários ao Brasil. São atribuídas a ele a construção de mais de 28 escolas, somente na zona rural de São Raimundo; 700 km de estradas, poços, açudes e capelas.

Por isso, hoje, encontra-se, na Cúria Romana, o processo de canonização de Dom Inocêncio como fruto maduro da entrega total dos freis naquela região. Mas cada religioso mercedário que passou pelas terras piauienses deixou um legado de suor e santidade.

Celebração do centenário 

Uma grande comemoração pede uma celebração à altura. Com muitos motivos para agradecer a Deus, dia 06 de dezembro de 2021, houve a Missa de abertura das festividades do centenário da chegada dos mercedários ao Brasil.

Porém, as comemorações se estendem até o dia 14 de novembro, com a Missa de encerramento do ano jubilar. Há ainda, todo mês, lives que apresentam a vida de cada uma das nove comunidades existentes no Brasil.

Segundo o provincial dos Padres Mercedários no Brasil, padre frei John Londerry, em entrevista concedida à Rádio Vaticano, existem desafios a serem enfrentados no mundo moderno, mas há esperança e gratidão suficientes para seguirem adiante.

Também, como o Papa Francisco citou, em um encontro com os mercedários reunidos em Capítulo Geral, em maio deste ano, há muitas formas de escravidão na modernidade, bastante sutis, que necessitam do carisma mercedário como meio de libertação. 

Portanto, essa fala do Santo Padre atualiza o carisma inspirado por São Pedro Nolasco e coloca cada religioso de prontidão para corresponder a sua vocação com vigor e atenção às realidades atuais.

“Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5)

A Bem-Aventurada Virgem Maria, a Senhora das Mercês, esteve sempre presente no caminho dos religiosos mercedários. Com certeza, Ela tem grande influência no centenário da chegada dos mercedários no Brasil.

Desde o início da Ordem, muitas doações eram feitas “em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Bem-Aventurada Virgem Maria, sua mãe”. Hoje as ofertas das vidas continuam pelos mesmos nomes e pela causa da redenção dos(as) filhos(as) de Deus.

De modo que, são muitas paróquias, escolas, creches, obras sociais e atividades pastorais desenvolvidas pela Ordem no Brasil. O que começou em 1922, estende-se até hoje  e deseja ser e fazer o que Ele disser.

Leia também: Por que o título à Nossa Senhora das Mercês?